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Por que animal de estimação não é um presente?

 

Natal, dia das crianças, aniversário entre outras são datas especiais, nas quais desejamos presentear as pessoas que amamos com algo que elas desejam muito. Muitas vezes um cachorrinho fofo aparece na lista de presentes de Natal das crianças, e é claro que muitas crianças são presenteadas com um filhotinho lindo na noite de Natal.

 

Até aqui nada de errado. Os animais trazem alegria para a casa, as crianças estão felizes e todos celebram. Então qual é o problema?

 

O problema é que muitos pais não colocam na balança o peso que é ter um animal de estimação. Pode parecer obvio, mas muitas pessoas parecem esquecer que o cão, o gato ou outros animais precisam de comida. Sim, é preciso alimentar o animal todos os dias. Algumas pessoas se esquecem disso. Adotar um animal de estimação requer planejamento. A pessoa precisa avaliar a sua rotina, sua renda (animais dão gasto) e disposição para cuidar do animal por pelo menos 15 anos (tempo médio de vida de um cão ou gato).

 

Adotar um animal no momento ou por motivos errados pode causar arrependimento e o  abandono do animal. Eu mesma passei por dificuldades quando assumi a guarda do Koda, meu Lulu da Pomerania.

 

Por que eu quase desisti do meu cachorro?

 koda the pom

Há dois anos moro com meu noivo em um apartamento alugado. No final do primeiro ano morando juntos eu comecei a me sentir sozinha e decidi que deveriamos ter um cachorro para nos fazer companhia. Meu noivo concordou e começamos a planejar a introdução do novo membro da família.

 

No apartamento que a gente morava não aceitava animais, por isso precisamos nos mudar – encontrar um novo apartamento foi estressante, mas conseguimos. Depois da mudança começamos a pesquisar raças de cachorro que melhor se adaptariam a apartamento. Pesquisamos temperamento, tamanho, dificuldade para dar banhos, caso eu precisasse dar banho em casa etc.

 

Após definir a raça (ou mistura de raças) do cachorro entramos em contato com abrigos e criadores – felizmente para os cães e infelizmente para nós – os abrigos da região somente tinham alguns poucos cães grandes disponíveis para adoção, e acabamos pegando o Koda com um criador – considere sempre adquirir o animal de um criador responsável e com boa reputação.

 

O primeiro dia com o Koda (nosso filhote) era um domingo e pudemos curtir nosso “bebezinho”, mas na segunda- feira voltamos a nossa rotina que incluia trabalho e estudo. Ficou difícil cuidar do Koda. Por mais que nós estivessemos nos esforçando, Koda estava ficando agitado e desobediente. Tudo isso porque não estavamos dando atenção o suficiente para ele. Nós precisamos nos adaptar. Para passar mais tempo com nosso cachorrinho eu passei a trabalhar de casa e o número de horas que ele passava sozinho caiu de 8 para 4 horas. Eu tive tempo para dar carinho, brincar e ensinar o Koda como se comportar, como fazer xixi e coco no lugar certo e como resultado ele ficou mais calmo e confiante em nós.

 

Contudo, mesmo o Koda sendo um amor de cachorrinho, por alguns momentos pensei “eu não vou dar conta”. Ainda bem que eu persisti, pois o Koda é hoje um cãozinho feliz e obediente que nos dá muitas alegrias.

 

Você deve estar se perguntando: Tá, mas o que isso tem a ver com abandono?

 

A verdade é que muita gente não considera estas dificuldades quando decide adotar um animalzinho e muitas vezes as pessoas responsáveis por doar ou vender o pet estão mais preocupadas em se ver livres dos animais do que em alertar os futuros tutores a respeito dastas questões. E quando as dificuldades aparecem muitas pessoas abandonam os animais, como aquele brinquedo velho que você não quer mais.

 

Ter um animal em casa significa uma grande mudança na rotina de todos que moram com você. Um animal de estimação precisa de cuidados em tempo integral. Por exemplo, o Koda precisa ir ao banheiro pelo menos quatro vezes por dia, e como moramos em apartamento, isso significa levar ele para passear pelo menos quatro vezes por dia – mesmo se estiver chovendo, nevando ou simplesmente frio “pra caramba”. O Koda não faz a própria comida, temos que alimentá- lo duas vezes por dia todos os dias, tem gente que se esquece desse detalhe.  O Koda não decide que deve tomar, nós temos que fazer isso pro ele. Ele não fala se está se sentindo mal, cansado ou com dor, nós temos que identificar os sinais que ele nos dá e leva-lo ao veterinário sempre que necessário – mesmo que a consulta seja cara e o tratamento uma facada.

 

Ter um animal de estimação é delicioso, divertido e traz inúmeros benefícios para nossa saúde física e mental. Porém é necessário ter dedicação absoluta e entender que o animal te vê como uma parte da família e tudo que ele espera é ser tratado como membro da família também. Eu ainda gosto de acreditar que as pessoas (na maioria dos casos) não abandonam seus pais porque estão velhos, ou seus filhos porque dão muito trabalho ou deixam seus bebês sozinhos em casa pra curtir melhor as férias. Como membros da família os animais merecem ser considerados em todas as futuras decisões que seus tutores venham tomar.

 

Quando eu decidi adotar meu cachorrinho ponderei várias coisas como:

 

  • Tamanho da minha casa. Moro em apartamento, por isso somente fazia sentido ter um cão pequeno.

  • Minha rotina. Como passo muitas horas fora de casa, ter um cão de pequeno porte, significa que o cachorro terá espaço na casa para brincar e correr mesmo quando eu estiver fora, diminuindo a necessidade de muitas caminhadas diárias. Cães de grande porte que vivem em espaços pequenos precisam sair mais para se exercitar.

  • Meu orçamento. Um cachorro pequeno come menos, por isso tenho menos gasto com ração. Um pacote de 7kg dura pelo menos quatro meses.

  • Gastos com veterinário. Mesmo saudável o animal vai ter gastos com veterinário, principalmente no primeiro ano de vida. Considere gastos com consultas, vacinas, vermifugação e castração. E separe uma reserva para emergências.

  • Eu viajo bastante. Ter um cachorro pequeno significa poder levá-lo comigo em minhas viagens. Assim ele vai comigo na cabine do avião, no trem, no ônibus etc.

Você talvez tenha que pensar sobre estas e outras questões como: a pessoas na casa são alérgicas aos pêlos de cães ou gatos e qual a disposição de cada um em cuidar do animal diariamente pelos próximos 15 anos.


Adotar um animal é divertido, mas nem todas as pessoas estão prontas para assumir a responsabilidade. Antes de adotar avalie a sua situação no momento e considere se essa é a hora certa para adotar, ou se é melhor esperar mais um pouco. E se for adotar, adote sabendo que você está assumindo um compromisso com aquele animalzinho para a vida toda.

 

 

Por Mariana Reis

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